As Estrelas não nascem por acaso.
A base da piza
Há 1 hora
uma espécie de diário visual, emotivo e muito pessoal, sobre até onde a cozinha me pode levar

Este deve ter sido o único momento em que vi Virgílio Gomes, o anfitrião deste congresso, quietinho. Aqui estão as conclusões dos dois dias de Congresso.
O presidente da Confrérie de la Chaîne des Rôtisseurs em Portugal, Aníbal Soares, fotografou mais do que comeu e para sobremesa escolheu ananás dos Açores. Não há-de ele manter a elegância!


Em Santarém há a vantagem de escolher uma região do país sem se ter que andar muito. Eis os Chefes António Bóia e Paulo Pinto a almoçarem num sítio calmo da feira, os Açores.
No espaço de uma semana vou de um congresso a outro. A cada um, só fui no primeiro dia. O 5º Congresso Nacional de Gastronomia, foi na Feira de Gastronomia de Santarém e desta vez cheguei a horas. "A Gastronomia do nosso tempo" foi o tema do primeiro painel, moderado por Paulo Amado. Um dos participantes, José Bento dos Santos, falou sobre "Os Novos Desafios" e sugeriu que se aparecesse uma estrela na cozinha portuguesa, seria um grande impulso para a mesma. Já estou a ver um Ronaldo ou coisa assim a entrar pela porta do casino para o ano que vem.


A ideia da festa era genial, os chefes "bombaram" altamente nos seus pratos, todos diferentes, todos muito bons. Faltou "bombar" a música. E depois o pessoal gosta é de comer sentado. No party.

Entrada



O ponto alto do primeiro dia foi a apresentação de Luis Baena, que falou do seu trabalho nos últimos cinco anos. Ficou esta sua frase: "Há uma progressão narrativa no trabalho do cozinheiro." O prato da fotografia é Atum braseado, Polvo 8 minutos, Feijão e Coco.


Estava eu a admirar estes fabulosos lustres dos anos 70, quando me lembrei que a última vez que ali tinha estado foi numa moda-lisboa-cascais-estoril, era aqui a sala VIP. E por falar neles...



Enquanto estavam todos no Salão a assistir ao Congresso, cá fora preparava-se a food party. Por sorte, assisto à chegada do grande Food DJ MC e Silva. Foi aqui que decidi ficar e fazer-me de convidada para a party. A food prometia.

Os cozinheiros falam da sua experiência como gestores. Nuno Barros, Chefe de Cozinha, 2780 Taberna, Oeiras; Paulo Amado, moderador; Luís Américo, Chefe de Cozinha, Restaurante Mesa; Fausto Airoldi, Chefe Executivo, Evolução Gastronómica, por esta ordem na fotografia. Isto sob o olhar atento da numerosa assistência. (A propósito, onde se meteram todos, que ninguém estava na food party?)




Fico sempre comovida ao ver, como diz Maria de Lourdes Modesto, "a rapaziada" a cuidar com tanto amor a cozinha portuguesa e a gostar daquilo que faz. João Sá o Chefe de cozinha e o Escanção, Manuel Moreira, sócios do G-Spot em Sintra apresentaram "O Vinho e a Cozinha/A Cozinha e o Vinho".

Este foi o meu almoço. Numa sala os salgados. Do outro lado do Salão as sobremesas, o café e a água das pedras. O light design estava para food party, só faltou DJ que pratos havia com fartura.

Adozinda Gonçalves, Chefe de Cozinha (Solinca Catering), apresentou um Robalo crocante com ervas e broa de Avintes sobre milhos à moda do Douro com espuma de coentros, que me abriu logo o apetite para o almoço. Eis a receita para uma pessoa retirada da revista do Congresso, a receita, é claro.




Chego mesmo no fim da apresentação de Francisco Gomes, Chefe de Pastelaria da Confeitaria A Colonial em Barcelos. Seria uma história contada através de macarons? Pois não perguntei. Resolvi ficar a sonhar com o catálogo.


Mal me começo a habituar à escuridão da Salão Preto & Prata, o espaço eleito para o evento, vejo o Virgílio Gomes prestes a ingerir aquilo que me pareceu ser uma espuma de alheira de bacalhau. Mas quando me aproximei, respirei de alívio, afinal era algodão doce.
Para variar, chego atrasada ao Congresso Nacional dos Profissionais de Cozinha no Casino do Estoril. Este fumo branco ainda deve ser do Jesus, apanhado nestas andanças pela primeira vez, que os nervos eram muitos, contou-me depois. Do cachimbo do Duarte Calvão não era, que ele estava em Madrid, vim a saber mais tarde.
A caminho de casa dou um salto aos Amigos da Severa e cruzo-me com a Nossa Senhora de Fátima. Do lado esquerdo está o António da Severa.




Mal acabou o vodka, digo, o almoço, isto é, a aula de culinária ucraniana, saí e em vez de descer as escadas resolvo subir. As paredes forradas de azulejos, qual banda desenhada. Estranho, as legendas pareciam em russo.



Não há nada a fazer. Sim, comi estas ameixas secas TODAS recheadas com nozes e com leite condensado (ainda) por cima. Tive que beber vodka para esquecer que antes comi umas "almôndegas" de batata fritas com salada temperada com maionese precedidas por uma sopa borcht que leva tudo e ainda leva natas. Um dia para engordar.







Tive que deixar a festa e sair a correr para me encontrar com o convidado de honra deste evento, o fotógrafo Georges Dussaud que entretanto fazia uma visita guiada pelas suas obras.







Caril de legumes, caril de ervilhas com paneer, arroz basmati e a sobremesa de semolina. As receitas estão nos blogs destas "colegas de aula de cozinha" que entretanto conheci, a Isabel e a Isabel que não aparecem nesta fotografia. Em cima, de azul turquesa, Shifali, cuja energia transformou este almoço numa festa ainda maior. Em baixo, Priya, que também não parou.



Começa-se por misturar a farinha com água, deixa-se a massa descansar. No fim dá jeito um homem para amassar. Para experimentar.

O panner, o queijo fresco indiano que normalmente é feito em casa. Para um litro de leite a ferver, uma colher de sopa de sumo de limão. Deixa-se por dez minutos e depois escorre-se muito bem através de um pano fino. Coloca-se um peso por cima, uns 30 minutos até ficar uma pasta compacta. Quem quiser fazer pode orientar-se, por aqui.



Pasta de caril, curcuma (açafrão-das-índias), garam masala, sementes de cominhos, arroz basmati, chapatis.


Aqui há tempo, no meu bairro, a Mouraria, decorreu o festival TODOS. Por 5 euros, uma aula de cozinha da Índia e uma refeição. Neste caso também com animação. Se uma família grande enche uma sala, uma família alegre enche-a de vida. Foi o que aconteceu. Formou-se automáticamente uma linha de montagem. Todos preparam os legumes para o caril.








Este jantar era afinal o pretexto para vermos o documentário do Paulo Seabra "Uns tantos milhares de negativos" sobre o espólio de um fotógrafo salvo por ele. Salvem-me a mim também e convidem-me para mais jantares destes!




Legumes gratinados: abóbora em bocados, com casca e tudo, cebola roxa "porque a branca desfaz-se e desaparece" diz a anfitriã. Temperar com um molho de vinho tinto, açúcar amarelo e sal. Juntar tomate seco rehidratado e bastante parmesão. Levar a forno baixinho cerca de uma hora. No último momento juntar os espetos de tomate com mozzarela.

























O açúcar de palma, tem um ligeiro sabor a caramelo, pode ser substituído por açúcar mascavado.
O molho de peixe é um ingrediente essencial, é o "sal" tailandês. O molho de ostra, o molho de soja e a pasta de camarão entram nalgumas receitas.
As folhas de lima (kaffir lime leaves) são utilizadas em muitas receitas. Em Portugal podem comprar-se congeladas.
A erva limeira (lemongrass) é outro ingrediente essencial na cozinha tailandesa. Encontra-se à venda congelado.
Sempre fiz a pasta de caril, mas neste curso aprendi que é muito mais simples comprá-la já feita! Convém não abusar na quantidade! É que no primeiro caril que fiz depois do curso ia matando os convidados, tal era o picante.


A cozinha parecia pequena para tanta gente. Mas lá se encaixou tudo, alunos, jornalistas e outros convidados. Eu que sou fotógrafa tive que ficar à frente... As professoras, Ms Chayanit Prampate e Sudaporn Timrurg que vieram de Bangkok.
Na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, decorreu o terceiro curso de cozinha tailandesa, organizado em cooperação com a Embaixada da Tailândia. Eu que adoro a cultura e a cozinha daquele país e que ando há anos a aperfeiçoar o meu thai curry, fui logo a correr, toda contente por ter esta oportunidade!
Receita do chefe António Nobre (para 4 pessoas):
Fiquei a saber o que é papa-rato. É farinheira, acabada de fazer, isto é, ainda mole, esmagada com um garfo e frita em azeite. Aqui servida com alface cortada em juliana.



Cheguei atrasada mas ainda a tempo de experimentar as receitas do chefe António Nobre. Primeiro um piso alentejano que me soube às mil maravilhas. Azeite, coentros, alho e sal, pisados num almofariz, e um bom pão alentejano, nada mais simples!
A ViniPortugal e a Casa do Azeite organizam sempre um encontro na última quarta-feira de cada mês. É um evento promocional, com provas, conversas, explanações e mini-workshops, que já vai na 14ª edição. É no Terreiro do Paço, nas instalações da ViniPortugal e a entrada é livre.






Todos so meses o chef elege uma erva aromática que lhe serve de inspiração. No mês de Maio será a vez do cebolinho. Eis a informação que consta na ementa deste mês e os pratos confeccionados com este aroma:

Com muita pena minha o chefe Jean Zaragoza não pode estar presente, mas almocei na agradável companhia da Orlanda, relações públicas do restaurante. O meu almoço foi, de entrada, a especialidade da casa, Fígado de pato fumado e fois gras, depois a Empada de galinha com vinho do Porto com rúcula e uma mousse de maracujá que me esqueci de fotografar porque um pavão me distraiu!





A anfitriã com o nosso amigo Rodrigo e a tarte que ela fez. Maçã, laranja, mel e canela, depois cobre-se com massa quebrada, leva-se ao forno e já está!

Estava tudo preparado para nos receber. A casa, que já de si é linda, tinha flores por todo o lado. A luz ajudava ao ambiente, propício à conversa. Eu que o diga.

Que interessam os milhares de calorias comparados com o agradável momento que ali passei na conversa, a saborear estas deliciosas panquecas, obra de artista? Quando dou por mim a Carla Pernambuco já era. Nem Bertílio Gomes, nem Peixe em Lisboa. Só tinha tempo de passar por casa e ir a correr para o jantar da Lurdinhas.







A Patrícia é como eu gostava de ser, muito organizada. Tem as receitas dentro de um dossier em capas de plástico e antes de começar a cozinhar, prepara tudo. Só falta na receita o truque que dá sabor às panquecas, um pouco de cerveja.

No sábado ia ver a apresentação de Carla Pernambuco, mas a caminho do Pavilhão de Portugal mora a minha amiga Patrícia Garrido e resolvo visitá-la. Prepara uma exposição intitulada Móveis ao cubo, Desenhos ao acaso, que inaugura no dia 9 de Maio em Faro, na Galeria Municipal Trem. Aqui estão três dos objectos que vai expor. São três mesas de cozinha cortadas aos bocadinhos, cujas peças depois de encaixadas e coladas, fazem um cubo.

Afinal Fausto Airoldi está em toda a parte! E para terminar o dia peço a Paulo Morais, três sushi e vou directa a casa com o meu jantar.



As receitas estão todas aqui. O chef refere que o fundamental para conseguir a melhor qualidade, é a relação que se estabelece com quem nos vende o peixe.

Quem melhor que um pescador, sabe do peixe? Se quer saber mais sobre David Pasternack vá à pesca neste artigo. E também aqui.
Este é o meu amigo João Pedro Diniz, irmão do chef Nuno Diniz, que cozinha em casa e para os amigos e tem um blog onde explica tudo o que faz. O título não tem nada a ver com o novo utensílio do irmão.
Esfera de Bochecha de Bacalhau fumada, Madalenas de Azeitona e Puré de Funcho com Corn Flakes e a receita aqui.
Lombo de Tubarão, Línguas de Ouriço de Mar e Batatas Negras e a receita aqui.
Tipos Comerciais de Azeite





Depois de ver passar tanto prato à minha frente, consolo-me com umas ostras do chef Bertílio Gomes e um copo de vinho branco, na varanda do Pavilhão de Portugal. Neste fim de tarde tão agradável, encontro a minha vizinha Joana Soeiro (à direita na foto) que tanto me apoiou neste evento. Emprestava-me sempre um copo de vidro.
As Ostras,
As Vieiras
As Enguias,





É o tipo de receita que agrada ao comum dos mortais como eu. Seria maravilhoso ter estes cremes todos sempre à mão para temperar tudo. Será que alguma vez vou fazer, nem que seja um?
Chego a tempo à apresentação. O chefe, com o à vontade de quem está habituado às camaras, vai explicando as receitas e falando de tudo em que está envolvido. A nova série do programa, o novo livro prestes a sair, o novo restaurante Alma e possívelmente outras que me escaparam. Porque eu estava era concentrada nas receitas.




Vou a pé de um evento para o outro. O almoço demorado fez-me perder a homenagem a José Bento dos Santos.
No dia seguinte fico a saber que o meu almoço foi elaborado pela equipa vencedora! Posso afirmar que a vitória foi bem merecida e dar os parabéns ao Chefe Carlos Gonçalves (à direita na foto) e ao seu assistente Celso Padeiro e já agora aos "treinadores", Paulo Pinto e António Bóia. Em segundo lugar ficou a Itália e em terceiro, Malta.
Biscuit de agrião com ganache de chocolate Valrhona, parfait de chocolate branco e maracujá, sorbet de pepino, azeite e iogurte, geleia de morango e menta, macaron de cacau
O terceiro prato ficou desfocado na foto mas o nível manteve-se. Nesta altura já a família Van Uden tentava, desesperadamente, negociar a troca de lugares...
O segundo era o prato vegetariano, salada de portobellos e maçã verde, geleia de romesco, trigo ligado com queijo da ilha como um risotto, ovo de codorniz a vapor. Escusado será dizer que tudo ligava bem. Eis a receita:
Entrada da equipa portuguesa e a receita, tal e qual me foi enviada.




A fome aperta, mas a sorte não me abandona. O meu amigo Virgílio Gomes convida-me para almoçar numa das três mesas dos "provadores" dos pratos das equipas que participam no concurso Global Chefs Challenge da World Association of Chefs Societies. Calha-nos a mesa servida pela equipa portuguesa. De um lado o júri muito concentrado na tarefa de provar para avaliar, nove pratos (cheios de informação!). E aqui fica explicada a ausência de Fausto Airoldi da sua cozinha no Peixe em Lisboa.

Por todo lado há homens de negócios, presumo eu, pela indumentária. Encontram-se a trabalhar arduamente, mas na minha condição de visitante-não-profissional-do-sector, o que me diverte é vê-los a fazer parte do decor dos stands.
No dia seguinte dou um salto ao Salão internacional de alimentação e bebidas, na FIL da Expo. Mal entro, vejo o Paulo Amado a vender o seu "produto", as Edições do Gosto. Digo "olá", ao longe para não interromper e vou dar uma volta pelo recinto.
Apesar do título, falou-se em português. Moderado por Duarte Calvão, o mentor, organizador e director do evento, foi para mim um momento bastante agradável onde aprendi mais uma catrefada de coisas. Entre o bom humor da "nossa" Maria de Lourdes Modesto e a sabedoria do David Lopes Ramos cujos textos no Público devoro sempre, a conversa fluiu entre Chefes, "da rapaziada" como lhes chama MLM "a que quer evoluir e a que não quer" e, produtos. Do renascimento dos produtos regionais aos cogumelos clandestinos, passando pela flor de sal, o azeite, o vinho, as enguias, o mexilhão, o borrego do nordeste alentejano, concluiu-se que não interessa a origem do produto, mas sim o desconhecimento do mesmo. Debateu-se a cozinha tradicional e o direito que cada um tem a fazer o que muito bem entender. Posto isto, o efeito do nespresso, que tomei hoje, começa a passar, por isso, voltarei amanhã para contar o meu dia.






Não é um sonho, ali mesmo à minha frente dou de caras com alguns dos nossos melhores chefes a prepararem as suas criações ou seja, o meu almoço. Deparo-me com o terrível problema da escolha.
Compram-se senhas para comer e beber. Os pratos custam cinco ou oito euros e os vinhos (José Maria da Fonseca), a copo, uma, duas ou três senhas de um euro e meio, conforme a escolha. A água (das Pedras) é à borla e o café (Nespresso) também. Está tudo muito bem explicado no site www.peixemlisboa.com.