o peregrino





Entretanto fui a Santiago do Cacém, ao jantar de apresentação da carta do novo Chef do restaurante do Hotel Caminhos de Santiago, O Peregrino, José Júlio Vintém. Primeiro estas tentadoras entradas, depois o jantar que fotografei quase às escuras, o que é bom para o agradável ambiente, mas não ajuda nada à boa fotografia. Registei, sem máquina, as sensações fortes que esta cozinha de alma alentejana me provocou. É verdade que é preciso ter um estômago forte para não penitenciar depois de cometer este pecado.

a partilha


Ao contrário de certos momentos, as receitas, essas, podem ser partilhadas. E acreditem que esta vale a pena. São ameixas, vermelhas por fora e amarelas por dentro. A Cristina explica-me enquanto eu devoro, em câmara lenta, espero, três ameixas de seguida. Por vergonha, devo ter ficado a fazer horas para a quarta. Já não me lembro. Mas não me esqueço da receita: "Fazes uma cama de açúcar, molhado com água. Quatro paus de canela. Mandas as ameixas lavadas lá para dentro, deixas ferver. Quando começar a formar espuma deixas mais dez ou quinze minutos, depende da ameixa." Assim só, com gelado, natas ou o que se quiser. Genial.

O meu jantar II





Creme de cogumelos com parmesão ralado, filetes em papillote, temperados com limão, manteiga e tomilho-limão, espinafres salteados e puré de batata, o vinho produzido pela família da Cristina, a conversa. Perfeito. Mas o melhor veio a seguir.

a mesa posta



Há grandes prazeres que são difíceis de partilhar com quem não esteve lá, por serem tão locais, tão pessoais. Ter amigos que se dão ao trabalho de reunir as suas mais bonitas peças, de cozinharem e prepararem tudo, para nos receber como uns reis. É um privilégio. Mais o pormenor do serviço ser made in Macau, trazido pelo bisavô Sabido da Cristina.

O meu jantar I






Enquanto o jantar é preparado, somos mimados com cubinhos de queijo e marmelada e tomate cereja com passas e vinagre balsâmico.

o toque pessoal

Uma coisa é certa, ninguém sairá daqui indiferente.

o manifesto ilustrado (e)

e. já não me apetece escrever mais nada e a si, muito provavelmente, ler mais nada. Como o(a) compreendo.

o manifesto ilustrado (d)

d. não classifiquem, por favor, se é isto, aquilo ou aqueloutro. Tentem aproveitar o prazer sem o espartilho de clichés.

o manifesto ilustrado (c)



c. irrequieta? irreverente? interventiva? imaginativa? i mais quê?

o manifesto ilustrado (b)




b. os produtos com que trabalhamos viajam o mínimo possível:
70%, 150 km/ 15%, 500 km/ 10%, 3.000 km/ 5% - o que for necessário

o manifesto ilustrado (a)


a. se gosta de comida caseira, coma em casa!

santos desing district


Não podia estar em melhor sítio, a não ser, talvez em Londres ou em NY. Mal se entra pode parecer um restaurante moderno que fica bem no recém-descoberto bairro de Santos. Mas não é bem assim. Aqui entra-se no atelier de Luis Baena, no espaço, onde o Chef se manifesta.

aqui e agora


O Manifesto

Na cozinha, como na vida, gosto de mudar, experimentar, questionar.

No exercício de criatividade gosto de fazer uma ponte entre passado e futuro, estabelecer equilíbrios entre técnica, experimentação, emoção, provocação, rigor e humor. Estas são algumas das variáveis com que trabalho durante a concepção em alguns dos meus pratos.

O amor? Claro que sim. Sempre presente. Se penso em música, nada me impede de ouvir com a mesma paixão o barroco de Bach ou a contemporaneidade de Al di Meola. Por que é que haveria de ser diferente no mundo da cozinha? Quem é que afirma que já está tudo inventado? Com, apenas, as sete notas de sempre continuam-se a compor novas melodias.

A cozinha é mais uma das formas de participar num acto de manifestação artística, ainda que limitado no tempo. Não é pelo facto de ser efémera que se deve deixar de considerar como arte.

Na disciplina da fotografia há uma fronteira muito ténue na abordagem do . Pode ser belo e feio ao mesmo tempo. Na cozinha há que ter consciência de que essa fronteira está igualmente presente.

A parte visual deve ser cuidada. Dependendo do ambiente tento sentir se é a sofisticação ou, pelo contrario, a simplicidade que deverão marcar presença.

Apesar da proximidade de S. Bento, não são palavras de ordem, muito menos um programa de governo do Manifesto, no entanto algumas linhas de conduta devo anunciar aqui e agora:

a. se gosta de comida caseira, coma em casa!

b. os produtos com que trabalhamos viajam o mínimo possível: 70%, 150 km/ 15%, 500 km/ 10%, 3.000 km/ 5% - o que for necessário

c. irrequieta? irreverente? interventiva? imaginativa? i mais quê?

d. não classifiquem, por favor, se é isto, aquilo ou aqueloutro. Tentem aproveitar o prazer sem o espartilho de clichés.

e. já não me apetece escrever mais nada e a si, muito provavelmente, ler mais nada. Como o(a) compreendo.

Bom apetite.

Luís Baena

o cantinho da maria

Tive a sorte de apanhar um almoço dançante com música ao vivo. "A Maria tem mão para a cozinha, como ninguém." Confidenciava-me o músico que animava o convívio.
Durante a semana há pratos fixos:
2ª-Bife de atum; frango com molho de amendoim
3ª-Caldo de peixe; moamba de galinha
4ª-Carapaus com molho de escabeche e arroz pintado; Cachupa
5ª-Calulu; Molho de Manuel António (Carne guisada com mandioca, inhame e banana verde)
6ª-Bife de atum; Congo guisado com entrecosto

Cantinho da Maria, Rua Poço dos Negros 64 - Tel.: 96 728 0759