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a gritar pela mouraria

É sexta feira, dia de bacalhau no Zé da Mouraria. É inacreditável a multidão que aqui se desloca para devorar aquelas irresistíveis lascas de bacalhau assado, a nadarem em azeite com alho bem frito como só num genuíno restaurante de cozinha portuguesa se consegue fazer.

pão para todos e mais alguns


Todos os anos por esta altura a revista Cais monta uma enorme tenda em plena praça do Martim Moniz, para mimar os sem-abrigo e quem queira ali passar. Há um palco com música ao vivo, mesas e cadeiras e um balcão onde é distribuído pão fresquinho, isto é, quentinho. Atrás do balcão há inúmeros voluntários que ajudam o melhor que podem para que o pão não falte a ninguém, pelo menos durante estes quatro dias. No primeiro dia vêm uns quantos VIPS posar para a fotografia, mas alguns como o Ricardo Carriço, trabalham à séria. Quem se divertiu à grande foi a miudagem da comunidade romena, meus vizinhos aqui no bairro. Era vê-los a devorar a Beira-Alta, enquanto ao balcão era oferecido chocolate quente. Para o ano há-de haver mais.

um dia normal







Mal aparece uma nesga de sol o meu bairro volta à sua vida normal. As hortas florescem, os estendais ficam a abarrotar e o ar que se respira transporta o aroma do entrecosto grelhado. Não tarda a sardinha e os almoços na esplanada da Cristina.

o outono em pequim






O meu amigo João Pedro veio experimentar a cozinha caseira chinesa aqui do bairro. O prato mais excitante que tínhamos para escolher era línguas de pato fritas. Ficámos a saber que a língua de um pato tem uma cartilagem e um osso. A um local destes o ideal é vir com um amigo que fale chinês e português, só assim será possível ter acesso à ementa em chinês onde a escolha se torna muito mais interessante.

tudo à minha porta










A minha cadela Rosa Maria assiste à fanfarra Kocani Orkestar oriunda da Macedónia, o meu amigo John do Bangladesh, lê o jornal do bairro, o Rosa Maria. O meu amigo Besiga feliz com o filho. Os meu vizinhos, vêm para a rua uns ligados ao Skype, em directo, para algures na Índia. Outros escutam os sons do bairro de olhos tapados. Outros não querem nada com TODOS. Há ainda um baile no Grupo Excursionista Recreativo dos Amigos do Minho. E o festival acaba no Martim Moniz com o pessoal ao rubro a dançar ao som, thecno-house-bollywood, do DJ MK. Para o ano há mais.