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o outono em lisboa



E assim vou passando o outono em Lisboa. Um brunch em casa da vizinha com tamales que uma amiga mexicana lhe ensinou a fazer. Dividimos o interior de cada um dos lindos embrulhos de folhas de milho e de bananeira. Saboreio a galinha com chocolate enquanto ouço a descrição detalhada do processo de construção dos tamales. Vemos fotografias da pequena cozinha onde várias mulheres de várias nacionalidades passaram a tarde do dia anterior a partilhar as suas vidas, na linguagem universal que é a cozinha. É como se estivesse estado lá. Aprendo a fazer uma lanterna com a casca de uma tangerina. Corta-se a casca ao meio no sentido horizontal e retira-se a metade superior com cuidado para deixar o filamento interior do fruto intacto, o pavio. Enche-se a metade inferior com azeite e eis uma lamparina. O João chega de Paris com um queijo de cabra fresco na mão e eu que moro ao lado não vou soprar o balão. Enfim, uma tarde frutífera.

devoradores de cogumelos












Ai o que eu gosto do outono. E pelos vistos a "rapaziada da cozinha" (como diria Maria de Lourdes Modesto), também está de olho nesta estação. É vê-los por esses campos, de cesta numa mão e Opinel na outra, aos devoradores de cogumelos. E de máquina ao pescoço ou no bolso, conforme se é jornalista ou chef. E a propósito, o meu prémio de fotografia na net vai para o Chef Vincent Farges, qual Jean Renoir em La Règle du Jeu. Resta-me comer com os olhos e devorar com a máquina os cogumelos que eles me deixaram porque não os podem comer. A Natureza é uma grande fonte de inspiração. Tanta coisa mesmo à frente dos nossos olhos. Não admira que depois dos inúmeros movimentos técnicos e estéticos da cozinha, os Chefs comecem a reproduzi-la de uma forma cada vez mais realista nas suas criações. Este foi o meu almoço algures no Vale do Bestança, um menu de degustação que a Chef Natureza com a colaboração do sub-Chef Outono me ofereceram. A ovelha fez-me companhia.